Surgiu
uma pergunta, depois dos debates sobre o último artigo de terceirização,
uma pergunta que não cala:
- "Chega de teoria, como se faz terceirização?!!!"
Objetivamente, o primeiro passo para a terceirização é a análise
proposta por Kraljic.
Os dois grandes aspectos que devem ser analisados, obrigatoriamente,
em quaisquer processos de terceirização são:
- a importância, para a EMPRESA, da atividade que está sendo terceirizada;
- a disponibilidade de fornecedores para a terceirização no mercado
de atuação.
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A
Importância para a sua empresa
A importância da atividade a ser terceirizada, para a empresa
que está terceirizando, deve ser analisada sob o aspecto do
reflexo em sua operação, ou seja, se o fornecedor contratado
que assumir o serviço não for bem, a sua operação fica prejudicada?
Pouco? Muito? O cliente pode perceber? Afeta a qualidade dos
produtos ou serviços, sob o ponto de vista do cliente? Afeta,
diretamente ou indiretamente, a qualidade percebida pelos clientes?
Na eventual troca de fornecedores é crítica a continuidade dos
serviços? |
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A
disponibilidade de fornecedores no mercado
A disponibilidade de fornecedores deve ser analisada sob o enfoque
da existência e do número de fornecedores da atividade a ser
terceirizada, disponíveis no mercado de atuação da sua empresa.
Há fornecedores capacitados para assumir a atividade a ser terceirizada
no mercado onde atuo? O número de fornecedores capacitados é
grande? Ou é pequeno? Ou só existe um único? |
Tendo em vista o resultado destas duas análises podemos cruzar os
dados e colocá-los na matriz de Kraljic.

Nessa matriz vemos 4 áreas distintas: sem ênfase, estabilidade,
competitividade, e integração.
Vamos fazer um comentário sobre cada uma delas:
| 1º
Área: SEM ÊNFASE, fornecimento simples. |
| Esta
área apresenta as atividades de importância baixa e alta disponibilidade
de fornecedores, ou seja, as aquisições nesta área são pouco
significativas, e é exatamente por este motivo que se deve
começar a terceirização por estas atividades, buscando aprender
para poder ir adiante.
Os
contratos, caso necessários, devem ter por objetivo
a agilidade e a presteza no atendimento, devendo ser de curto
prazo. O relacionamento com o fornecedor é sem importância. |
| 2º
Área: ESTABILIDADE, fornecimento gargalo |
Nesta
área encontramos a particularidade de termos baixa importância
da atividade a ser terceirizada, juntamente com baixa disponibilidade
de fornecedores capacitados. Essa disponibilidade baixa exige
a garantia do fluxo de entrega.
Como linha de ação para a terceirização destas atividades recomenda-se
o estabelecimento de contratos de prazos variáveis, dependendo
da confiança no fornecedor, confiança esta que
deve ser o objetivo do relacionamento. |
| 3º
Área: COMPETITIVIDADE, fornecimento em grandes quantidades |
| Nesta
área encontramos a importância alta - é vital para a empresa
- e a alta disponibilidade de fornecedores capacitados no
mercado, o que permite, como linha de ação da sua empresa,
uma forte negociação em preço e qualidade suportadas pela
competitividade e contratos, de um a dois anos, possivelmente
estabelecendo algum controle econômico desse fornecedor.
O
relacionamento com o fornecedor deve ser monitorado para evitar
surpresas. |
| 4º
Área: INTEGRAÇÃO, fornecimento estratégico |
Esta
área é terceirização mais crítica, e recomenda-se
somente deva ser enfrentada com experiência nas duas áreas anteriores,
uma vez que há poucos fornecedores no mercado e é alta a importância
para a empresa. A linha de ação recomendada neste caso é o estabelecimento
de contratos de longo prazo, aliados a fortes cláusulas de garantia
de suprimento e controle econômico do fornecedor.
Deve ser estabelecido um relacionamento cuidadoso com o fornecedor. |
Para quem se interesse pelo assunto recomendo, fortemente, a leitura
do livro "A Revolução Nos Serviços",
de Nelson T. P. Pereira e Fernando C. de Vasconcelos,
Editora Livre Mercado, 1995. O livro é baseado na experiência
prática dos autores na implantação da terceirização
em importante e grande empresa multinacional. Este artigo esta baseado
fortemente no conteúdo deste livro ímpar.
Eu tenho uma dificuldade com a falsa polarização entre a teoria
e prática. Eu não vejo distinção entre teoria e prática, eu vejo
a ação baseada na teoria, ou o que eu uso exaustivamente em meu
sítio na INTERNET: o par Informação (teoria) e prática (ação).
Aqui eu tenho escrito:
"Esse par "Informação e Ação" é exaustivamente utilizado ao longo
deste "site", por todo material que eu produzo e nas minhas atuações
como consultor, para revelar, não somente o conhecimento, que precede
o agir, mas a ação requerida, baseada no conhecimento, para que
as mudanças ocorram com a efetividade desejada."
Eu vejo que a prática da terceirização consegue melhores resultados
- como todas e quaisquer outras práticas - quando fundamentadas
pela experiência adquirida, transformada em conhecimento, e chamada
de teoria!
Para que errar o que outros já erraram? Ao aproveitar a experiência
dos outros otimizamos o nosso
caminho para o sucesso! |