O
conhecimento é atualmente o grande diferencial que
há para a competição entre empresas.
Há
muito tempo – eu conheço há aproximadamente
30 anos - uma ferramenta denominada “A Janela de Johari”
chamou a minha atenção. Ela serve para explicar
em que bases a interação humana ocorre.
Johari nada mais é do que as iniciais dos nomes dos
autores (Joseph Luft e Harry Ingham), o que confere ao nome
escolhido certa áurea mística.
Este
modelo diz que há áreas do nosso comportamento
e atitudes que nós conhecemos e outras que não
conhecemos. As pessoas que se relacionam conosco também
enxergam nossos comportamentos e atitudes, da forma deles,
tendo também uma área conhecida para eles
sobre a nossa pessoa e uma outra área desconhecida,
como mostra a Figura 1 abaixo.

Figura 1 – A Janela de Johari
-
O seu “Eu Aberto” é
aquele que tanto você como as outras pessoas conhecem
e percebem.
-
O seu “Eu Oculto” é
aquele que só você conhece.
-
O seu “Eu Cego” é aquele
que só você não vê, mas os outros
conhecem.
-
O seu “Eu Desconhecido” é
aquele que nem você nem os outros têm acesso.
Com
a Janela de Johari permite perceber em que bases cada um
de nós atuamos em nossos relacionamentos.
Vamos exemplificart: quando alguém nos diz algo,
e nós estranhamos porque ela está dizendo
isso para nós, pode ser porque essa pessoa está
percebendo algo em nós, que nós ainda não
vemos. Tempos depois fica claro o que aquela pessoa quis
dizer para nós. Este é um exemplo claro de
uma característica de “Eu Cego” passando,
com o aprendizado, com a auto-percepção, com
o tempo, para “Eu Aberto”.
Uma
abordagem semelhante pode ser feita para o mercado:
-
a área correspondente ao “Eu Aberto”
é aquela área onde tanto você como os
seus concorrentes têm o mesmo conhecimento, é
uma área de IGUALDADE no conhecimento, portanto representa
uma área onde se tem completa e igual noção
da competição que está em curso;
- a área correspondente ao “Eu Cego”
é aquela em que os seus concorrentes estão
enxergando as dificuldades e oportunidades e você
não vê nada, você é limitado pelo
seu desconhecimento, e esta área exige sua ATENÇÃO;
- a área correspondente ao “Eu Oculto”
é aquela onde para você estão claras
as dificuldades e oportunidades, mas só você
e a sua empresa estão enxergando isso, o que representa
uma OPORTUNIDADE para a sua empresa;
- a área correspondente ao “Eu Desconhecido”
é aquela área onde ninguém vê
nada, nem sua empresa, nem os seus concorrentes, e aqui
estão os tesouros para serem descobertos ou desenterrados,
é a área mais desconhecida, mas PROMISSORA.
Vejamos
a Figura 2 – A Janela de Johari para empresas –
como ficariam estas áreas com relação
ao conhecimento do mercado entre a sua empresa e as empresas
concorrentes, e como poderíamos utilizá-las
em nosso proveito.

Figura 2 – Janela de Johari para
empresas
A
análise de cada uma das táticas a serem adotadas,
em cada uma das janelas de Johari para empresas, está
definida na tabela abaixo.
| Janela |
Ações
para |
| Pessoal |
Empresarial
|
Sua
empresa |
Concorrência |
|
Eu Aberto
|
Igualdade |
As
duas atuam em pé de IGUALDADE. |
| Eu
Cego |
Atenção |
Você
deve ficar atento a qualquer movimento do seu concorrente
que você não entenda, que seja inexplicado
sob o seu enfoque.
|
É aqui que eles podem concentrar esforços
para ganha vantagens competitivas, portanto ATENÇÃO.
|
| Eu
Oculto |
Oportunidade |
Como na anterior você perde, aqui você dá
o troco, está nesta área a OPORTUNIDADE
de você ter uma vantagem competitiva possível
de ser lançada.
|
Eles
estarão de olho nos seus movimentos, em quaisquer
movimentos fora do normal. |
| Eu
Desconhecido |
Promissora |
Esta é a terra prometida, a inovação,
a área PROMISSORA, mas que ninguém
enxerga ainda, quem primeiro desbravar passa, o que
encontrar, para a área das suas OPORTUNIDADES.
|
Esta apresentação, através da Janela
de Johari, é um bom complemento para o Gráfico
de Kano, pois mostra a dinâmica da concorrência
e do conhecimento se encontrando no mercado.
O
conhecimento e a correspondência (Cego-Atenção
e Oculto-Oportunidades) é transformado
em vantagens competitivas pelas empresas participantes do
mercado.
Essas
vantagens competitivas apresentadas pelas empresas ao mercado
acabam por levar esse conhecimento para a área amarela,
onde tudo se copia. É o que ocorre com as suas vantagens
competitivas e com as vantagens competitivas dos seus concorrentes.
Estas
considerações valem tanto para a área
de marketing e administração, como para a
área de tecnologia (mais difícil, mas não
impossível) e para a área de RH, em geral.
Só
resta então voltar a cavoucar na área PROMISSORA
ou rezar para que se tenha algo na área de OPORTUNIDADES,
e iniciar novo ciclo, num trabalho de Sísifo, para
obter conhecimento que garanta vantagens competitivas que
acabarão sendo copiadas...
Tanto
na vida pessoal, como na vida empresarial, é difícil
saber (ou até mesmo impossível prever ou dizer)
que esta pessoa ou empresa estão errados (ou incorretos),
pois nosso conhecimento é sempre parcial (e diferente
dos outros), portanto incompleto. Por ser incompleto podemos
(ou devemos?) nos abster de julgamentos e ficar atentos,
pois a cartada pode ser decisiva...
E
é melhor que nos encontre atentos, do que debochando
do que nos come pelas beiradas, invisível e provocado
pela nossa cegueira...
E
o nosso saber, sempre limitado, pode nos conduzir às
falsas presunções...
Este
é também o motivo pelo qual eu tento evitar
julgar as atividades dos outros, mas sim me manter atento
ao que fazem, e aos resultados que colhem.
E
o que parece, no instante, discernimento (a falsa e mentirosa
visão do meu umbigo) pode se transformar na arma
que eu deixo de ver por presunção de que sei
tudo. Esta é uma característica forte do ser
humano: a certeza se confirmar como mera presunção.
Isto
não é medo, é se reconhecer falível,
é ficar atento ao que pode ser uma oportunidade que
a nossa restrita visão faz-nos invisível,
e nos apunhala pelas costas.
Novamente,
isto não é medo, é manter o FOCO somente
naquilo que se pode fazer.
Potanto,
cuide muito bem do que você faz, fique atento aos
movimentos dos outros, e aprenda com eles. Jamais os julgue,
pois o seu julgamento, pela presunção de que
você é o certo, de que você dispõe
de todo o conhecimento, pode conduzi-lo ao erro.
O
menosprezo e o juízo apressado conduzem a baixar
a guarda. O preço da liberdade é a eterna
vigilância, já dizia meu saudoso pai.
Na
sua empresa isto é praticado?
E
você, ao que você se propõe?
Carlos Alberto de Faria
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