Qualidade
e produtividade são conceitos idênticos.
Mas isto é entendido por um número muito pequeno
de pessoas.
W.
E. Deming |
Muitos
dirão que a onda da qualidade já passou, que a qualidade
já morreu. Eu digo que a qualidade está muito viva,
ganhou velocidade, virou a esquina e, por isso, poucos a enxergam.
Vamos
começar com uma história muito contada durante a fase
inicial da qualidade, aqui no Brasil, que serve para ilustrar bem
o conceito de qualidade: é uma história da comparação
de duas fábricas de televisão, uma no Japão
e outra no Brasil.
Na
fábrica brasileira – antes de serem implantados os
princípios da qualidade – a linha de produção
funcionava assim:
1. Ao final da linha de produção dos televisores
eles eram testados um a um.
2. Os televisores, que estavam funcionando, iam para a expedição.
3. Os televisores, que não estavam funcionando, iam para
a sala da correção da linha de produção.
4. Lá, na sala de correção existiam equipamentos
para diagnósticos, e técnicos especializados para
reparar os televisores, com almoxarifado próprio, e seus
controles, com o objetivo de arrumar os defeitos e encaminhar
para a expedição.
5. Alguns televisores não ofereciam condições
de serem reparados, tornavam-se sucata.
Na
fábrica do Japão, com os princípios da qualidade
já operando há alguns anos, a linha de produção
funcionava assim:
1.
Ao final da linha de produção dos televisores estes
eram encaixotados.
2. As caixas com os televisores eram remetidos à expedição.
A
linha de produção, no Japão, só produzia
televisores que funcionavam! Testar seria desperdício! A
isto chama-se processo capaz, ou processo conforme.
Esta
era a diferença básica entre duas linhas de produção,
uma utilizando os princípios da qualidade, outra não
utilizando estes mesmos princípios.
Esta
diferença básica era responsável pelo Japão
colocar televisores, no Brasil, a um preço mais barato do
que o televisor produzido aqui.
Após
esta breve história é nossa intenção
demonstrar a veracidade do conceito de Deming, que qualidade e produtividade
são conceitos idênticos.
A
idéia básica da Qualidade é a produção
dentro da conformidade, ou seja, a produção do certo
na primeira vez. Um processo de produção de serviços,
ou produtos, é dito processo conforme, ou processo capaz,
quando ele produz certo da primeira vez, de forma consistente e
planejada.
A
abordagem que vamos utilizar tem dois nomes, usuais e equivalentes:
-
Custo da Qualidade (CoQ – Cost of Quality), ou
- Preço do Não Cumprimento (PNC).
O
Custo da Qualidade (ou CoQ) é o que utilizaremos. Ele é
composto de todo e qualquer trabalho, custo e perda em dinheiro
ou tempo, que não seja o decorrente de fazer o trabalho certo
da primeira vez. Fazem parte deste CoQ:
-
falhas;
- retrabalho;
- refugo;
- sucata;
- serviços não previstos;
- manutenções corretivas;
- reclamações;
- trocas;
- devoluções;
- etc.
Entendemos
estas três áreas, a seguir, como Custos da Qualidade:
-
Falhas ou retrabalho: atividades, equipamentos,
materiais, tempo e pessoal gastos com a reparação
daquilo que foi produzido com não conformidades, ou o seu
sucateamento.
- Avaliação: atividades, materiais,
equipamentos, materiais, tempo e pessoal gastos no controle posterior
à produção do serviço ou produto,
para verificar a sua conformidade.
- Prevenção: atividades, materiais,
equipamentos, materiais, tempo e pessoal gastos no controle anterior
à produção do serviço ou produto,
para garantir a sua conformidade.
E
por fim, para compor o Custo do Trabalho, temos os custos envolvidos
no trabalho certo da primeira vez: atividades, materiais, equipamentos,
materiais, tempo e pessoal gastos na produção do serviço
ou produto conforme.
Como
dissemos anteriormente, o objetivo é reduzir o CoQ.
Como
o princípio da qualidade é a produção
do certo da primeira vez, investe-se mais na prevenção,
para eliminar as causas da não conformidade. Com este investimento,
diminuem os custos com retrabalho e falhas, e diminui também
a necessidade de avaliação, já que a prevenção
garante alguns pontos, ou na entrada dos insumos, ou no processo
de produção, ou ainda em ambos.
Com
esta redução de custos, paulatinamente, podemos alocar
estes recursos para:
-
Maior prevenção.
- Fazer com o trabalho bem feito, da primeira vez, seja melhor
feito.
- Execução de outras tarefas.
Vejamos
então o Gráfico “Custo do Trabalho” ao
longo do tempo, apresentado abaixo. conforme dados dos históricos
da qualidade.

Gráfico 1 -Custo do Trabalho X Custo da Qualidade
Alocar recursos que não agregavam valor, nem ao
cliente, nem à empresa, em áreas onde agregam valor
tanto ao cliente, como à empresa, tem um nome, e este nome
é produtividade!
Com
o passar do tempo, acontece o seguinte:
-
Os custos das falhas e retrabalhos são reduzidos a zero.
- Os custos de avaliação também são
reduzidos a zero.
- O CoQ é somente o custo da prevenção.
Nesta
etapa temos um processo capaz, ou um processo conforme. E produtividade
máxima no processo de produção!
Todo
este artigo serve para dizer, ao fim, uma única coisa: é
mais barato previnir e planejar, do que remendar os erros ao final.
Quando
algum empresário diz:
-
"Deixa-me primeiro arrumar minha empresa, depois eu vou pensar
em qualidade."
o
pessoal da área de qualidade fica boquiaberto, e pensa:
-
"Este não sabe o que é qualidade."
Implantar
qualidade significa arrumar a empresa, de uma forma consistente
e exaustivamente testada em todo o mundo. O resto são tentativas...
Isto
é o que a história da qualidade demonstrou ser a verdade:
aumentar a qualidade - diminuir o Custo da Qualidade - é
o mesmo que aumentar a produtividade.
Até
um próximo artigo!
Carlos Alberto de Faria
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