A
consultoria McKinsey, a maior firma de consultoria do mundo,
provavelmente a melhor do mundo, lançou esta semana
(06 a 12.06.2004), um artigo sobre o mercado interno do
conhecimento nas empresas. A leitura do texto resumido da
McKinsey provocou este artigo.
No “e-mail” de chamada para ler o artigo há
a seguinte frase:
“Para as empresas, e também para os
seus empregados, o conhecimento é poder – e
lucro.”
Vamos apresentar dois aspectos importantes da gestão
do conhecimento:
- uma universidade, em geral, possui uma grande concentração
de conhecimento, mas não possui um sistema de compartilhamento
desse conhecimento, o que faz com que o brilho individual
cresça e o brilho coletivo seja apagado;
- o McDonalds seleciona empregados com baixa experiência
e conhecimento reduzido, em comparação com
uma universidade; no entanto, a sua atuação
com mais de 30.000 restaurantes, em 119 países, servindo
mais de 47.000.000 de sanduiches aos clientes todo o dia,
mostra ser uma organização muito inteligente,
coletivamente inteligente, pois garante uma qualidade em
diversas culturas. O McDonalds padronizou o seu conhecimento,
de tal forma que facilita a sua atuação em
qualquer cultura, em qualquer parte do mundo.
Na universidade, o conhecimento é poder, mas carece
de um sistema que garanta a circulação desse
conhecimento. Não nos parece, inclusive, que seja
obrigação das universidades, essa circulação
interna do conhecimento, pois o foco das universidades é
a geração do conhecimento.
No McDonalds, o conhecimento circula e, além de conferir
poder, confere lucro. O conhecimento, limitado, que circula
é como fazer negócio com lanches rápidos.
Nós podemos criar conhecimento, obter conhecimento,
disseminar conhecimento, adaptar conhecimento, utilizar-se
do conhecimento, aprimorar o conhecimento.
A tão propalada gestão do conhecimento busca
conferir vantagem competitiva às empresas, pois:
-
o maior, e único, ativo que pode fazer diferença,
é a informação,
-
hoje, para uma boa idéia não falta capital
de risco.
Dentro desta atividade de ponta, a gestão do conhecimento
– os primórdios de sua utilização,
na administração, estão localizados
no meio dos anos 90 -, há alguns conceitos que devem,
e podem ficar, claros para os empresários e empreendedores.
Coisas simples, mas úteis. É sobre estas atividades
ou tarefas simples e úteis da gestão do conhecimento
que estamos tratando neste e no próximo artigo (A
Gestão Do Conhecimento E A Padronização).
Com o conhecimento há duas atividades principais,
que se deve fazer: obter e disseminar.
A grande maioria dos esforços de gestão do
conhecimento, nas empresas, foca a obtenção
do conhecimento externo a essas empresas, mas isso pode
estar deixando para trás o conhecimento interno acumulado
durante toda a existência da sua empresa, devido a
algumas possíveis barreiras culturais.
O reconhecimento de que há um grande volume de conhecimento
interno à empresa, acumulado e não disseminado,
pode possibilitar o estabelecimento de vantagem competitiva
única e impulsionar ganhos significativos de produtividade.
Imagine que a sua empresa acumulou, durante toda a sua existência,
um conjunto de conhecimentos, junto ao seu mercado-alvo,
conhecimento ímpar, que só sua empresa possui,
sobre:
- as forças e fraquezas dos seus concorrentes;
- as melhores abordagens ao seu segmento;
- os clientes dos seus serviços e produtos;
- as melhores políticas e condições
de preços;
- como produzir o que seu segmento quer;
- etc;
que, por si, podem fazer, sendo partilhados, compartilhados
e empregados, com que a sua empresa resolva problemas de
vantagem competitiva e aumento de produtividade. O que não
é pouco, a um custo baixo e debaixo do seu nariz!
O reconhecimento, de que há um mercado de conhecimento
efetivo interno, exige menos investimentos em tecnologia.
Mas exige esforços em dois aspectos complementares:
- encorajamento dos empregados “proprietários”
dos conhecimentos em “vender” esses mesmos conhecimentos
aos outros empregados, e
- encorajamento dos outros empregados em “comprar”,
receber e aplicar esses mesmos conhecimentos disponibilizados
pelos “proprietários”,
pois pode haver, com freqüência, uma crença
de que “santo de casa não faz milagre”,
crença esta que faz com que o conhecimento não
circule, não seja disseminado, impossibilitando tanto
a “venda” do conhecimento quanto a sua “compra”.
Note, que com esta última colocação,
estaremos lidando com a mudança de uma cultura interna
da sua empresa. Caso este mercado do conhecimento não
esteja sendo utilizado, isto pode estar acontecendo por
alguns motivos, que precisam ser trabalhados, como por exemplo:
- baixa auto-estima: o que eu sei não é importante;
- falta de reconhecimento: não dão importância
ao que eu sei;
- compartimentos estanques: falta de comunicação
entre áreas complementares; ou, cada macaco no seu
galho;
- falta de comprometimento: ninguém se interessa
pelo que eu sei;
- etc.
Caso o clima relatado acima seja o existente na sua empresa,
adiantaria trazer conhecimento externo para ser disseminado
pela sua empresa?
Este novo conhecimento agregado, vindo de fora, teria condições
de estabelecer vantagem competitiva? Ele seria aprendido?
Disseminado?
O novo conhecimento, vindo de fora, traria aumento de produtividade
ou aumentaria o ceticismo?
Este é o conceito de “organizações
que aprendem”.
Sua empresa tem a atitude de aprender?
Os empregados gostam de disseminar conhecimento?
Tudo o que colocamos acima serve também ao seguinte
propósito: a importância do fator humano, mais
uma vez!
A gestão do conhecimento exige um sistema de registro
(não se pode perder conhecimento quando empregados
se desligam da empresa) e disseminação do
conhecimento (o conhecimento não pode ficar restrito
a áreas específicas).
É do cruzamento e da interdependência do conhecimento
que também nascem idéias criativas, na fronteira
entre as responsabilidades, na divisas obscuras do poder
dentro da empresa, nas interfaces, nessa área de
ninguém.
E a gestão do conhecimento também exige uma
cultura organizacional que não só permita,
mas promova e recompense a livre circulação
de idéias, o que exige se tenha empregados proativos,
dispostos a aprender, debater, aprimorar e a compartilhar,
para gerar inovações na organização,
alavancando vantagens competitivas e aumento da produtividade.
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