Qual
é o bem maior da empresa na qual você trabalha?
Qual
é o bem maior da sua empresa?
Você
sabe qual é o bem maior de todas e quaisquer empresas?
Este
é um bom assunto para o debate, e é o tema
deste nosso BES.
Eu,
após a leitura do excelente livro "A
Hora Da Verdade", de Jan Carlzon, não
tive mais dúvidas. Mas, vira e mexe, aparece alguém
com umas idéias diferentes. Quando isto ocorre, eu
submeto a minha percepção da idéia
de Jan Carlzon, obtida àquela época, ao crivo
do conhecimento da pessoa que apresenta essa idéia
diferente.
Já
faz 10 anos que eu mantenho esta percepção
obtida no livro "A Hora Da Verdade".
Jan
Carlzon foi presidente da SAS, empresa de aviação
da Escandinávia, na qual ele liderou uma verdadeira
revolução.
Jan
Carlzon diz que de nada adiantavam os aviões, as
redes de hotéis, os terminais próprios de
embarque, as oficinas de manutenção. Também
de nada valiam as equipes bem treinadas de ar e terra, almoços
e jantares diferenciados a bordo.
O
bem maior que uma empresa pode possuir são os seus
clientes, e o desejo que esses mesmos clientes têm
de comprar e continuar comprando da sua empresa.
Caso não houvesse clientes dispostos a viajar com
a sua empresa, e mais, clientes dispostos a viajar, novamente
e seguidamente, com a sua companhia aérea, ela seria
somente um amontoado de bens, sem utilidade alguma, realmente
um ativo imobilizado!
Ele
dizia que o bem maior que uma empresa tem, não é
o ativo imobilizado, nem o seu pessoal treinado e motivado,
nem tampouco o conhecimento de fazer negócios.
Jan
Carlzon diz que o bem maior que todas e quaisquer empresas
têm, são os seus clientes, aqueles que compram
dessa empresa e estão dispostos a comprar novamente,
e repetidamente, dessa mesma empresa.
No
restante do livro, Jan Carlzon mostra como ele conduziu
a mudança na SAS, como ele liderou uma verdadeira
revolução, para que a SAS se transformasse
de uma empresa de aviação em uma empresa de
clientes encantados.
Dentro
deste conceito, toda empresa deve produzir somente uma única
saída: clientes encantados que compram dessa empresa
e, principalmente, estejam dispostos a repetir suas compras
nessa empresa.
Lembre-se:
clientes encantados é que é o objetivo, clientes
satisfeitos não basta! Veja nosso Boletim artigo
intitulado "Satisfazer
o cliente não basta!".
Este
conceito, aceito na maioria dos casos, sofre uma desconexão
mental, em uma boa parte dos executivos brasileiros.
O
que eu estou querendo dizer com isto é que a maioria
diz que sua empresa é voltada para o cliente, mas
poucos fizeram a mudança necessária para a
produção de clientes encantados. A grande
maioria continua produzindo produtos e os empurrando para
o mercado.
Vejamos,
por exemplo, o caso da construção civil, que
é perfeito para a nossa colocação e
comparação.
Todo
brasileiro almeja, ou quer um canto, para morar, uma casa
ou um apartamento. Digamos que o valor desse canto para
morar esteja na faixa de R$ 50.000,00, hoje. Quando você
vai ao supermercado e compra um liquidificador, numa faixa
de valor de r$ 50,00 -, portanto com valor 1000 vezes menor
do que o valor do canto para morar -, você procura,
imediatamente, pelo manual de instruções.
Um
bem imóvel, com tempo de vida útil muito maior
do que um liquidificador, 1000 vezes mais caro que o dito
liquidificador, raramente (e põe raramente nisso),
é entregue com um Manual do Proprietário.
Você
conhece alguém que comprou uma casa ou apartamento
e recebeu, junto com as chaves, um Manual do Proprietário
do imóvel?
Neste
Manual do Proprietário constaria,
para o entendimento de leigos, para o entendimento dos clientes,
por exemplo:
-
a planta baixa,
- a planta elétrica,
- a planta hidráulica,
- as especificações dos materiais utilizados,
os seus fabricantes, o modelo e sua nomenclatura ou denominação
(por exemplo: piso cerâmico marca tal, cor tal, dureza
tal, partida ou lote tal),
- as recomendações de limpeza para os pisos,
louças, janelas, etc;
- as faixas, nas paredes dos diversos cômodos, nas
quais você não pode colocar buchas, pois há
tubulação elétrica ou hidráulica
embutida?
Isto
é o que me veio à cabeça, no momento
em que estou escrevendo, imagine um especialista, o que
enxergaria como necessidade informar ao seu cliente!
Será
que este Manual do Proprietário
para obras civis é um sonho?
Isto
não só não é um sonho, como
é uma obrigação de qualquer empresa
de construção civil séria que queira
se colocar responsavelmente no mercado!
Isto
mostra o descompasso entre o entendimento do que o Jan Carlzon
disse e a nossa prática do dia a dia.
Entender
é fácil, mudar o nosso jeito de fazer as coisas
é muito mais difícil!
Liderar
o necessário processo de mudança é
raro; mas os que enfrentarem este desafio colherão
os louros de uma vantagem competitiva difícil de
ser copiada, portanto uma vantagem competitiva sustentável!
Os
"engenheiros" entendem o recado dado, o conceito
apresentado, mas não dão o passo seguinte
de fazer com que o planejamento da sua empresa pense "cliente".
O início do planejamento de uma obra seria "pensar
cliente":
1.
Para quem eu vou entregar o bem que eu vou produzir?
2. O que eu vou entregar para ele?
3. Como ele - o cliente - gostaria de receber o que eu produzo?
4. No que minha empresa pode facilitar a vida do meu cliente?
5. Como minha empresa vai fazer para que ele fique encantado,
quando receber o que eu produzo?
Note
que esta abordagem só altera alguns detalhes do processo
de construção, mas significa uma mudança
radical sob o enfoque do esquecido cliente, e de como se
deve conduzir uma construção. Continua sendo
tijolo sobre tijolo, concreto, pisos e azulejos, acabamentos,
mas a filosofia de construção muda!
Eu,
propositalmente, utilizei a figura do engenheiro, pois quaisquer
outras que eu utilizasse, daria pano para manga de colete,
reclamações sobre reclamações
dos profissionais citados, pois eu sou formado em engenharia!
Este
descompasso entre o pensar, e o agir das empresas, é
mais comum do que se imagina, e está longe de ser
uma característica somente do setor da construção
civil.
Finalmente,
mas não finalizando, toda empresa deve focar a sua
produção de clientes com a expectativa superada,
de clientes encantados. É isso que os processos produtivos
da empresa, de quaisquer empresas, devem produzir: clientes
encantados.
E
na sua empresa, como está o cliente na sua empresa?
Na
sua empresa o cliente é o bem maior? Nas ações,
no seu processo produtivo, e não somente nas palavras?
A
sua empresa tem um processo de produção de
clientes encantados? É esse o grande processo da
sua empresa?
Para
efetuar uma mudança destas é necessário
um autêntico líder, mas há ferramentas
que ajudam a implantação desta mudança,
tanto para empresas de produtos, como de serviços.
Na
semana que vem eu conto o nome de uma ferramenta que, comprovadamente,
ajuda a levar a voz do cliente para dentro da empresa, ajuda
a internalizar os desejos e necessidades do cliente. O nome
da ferramenta é QFD - Quality Function Deployment
(Desdobramento da Função Qualidade).
Mas só na semana que vem.
Construamos
uma ótima semana!
__________________________
Nós teremos o prazer de atendê-lo caso você queira saber
mais sobre estas e outras estratégias atrair mais e melhores
clientes, ou ainda comentar algum aspecto deste Boletim
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de interesses convergentes entre a demanda e a oferta,
dentro da área de serviços. É nosso intuito promover
o desenvolvimento pessoal e aprimorar as relações comerciais
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