"Na
vida civilizada, onde a felicidade do homem, e
até mesmo sua existência,
depende tanto da opinião de seu companheiro,
que ele está constantemente representando um papel
estudado."
Washington
Irving, 1819, citado em "O Princípio
Persona", de Derek Lee Armstrong e Kam Wai Yu,
Editora Rocco, 1998.
Não
sei se sou só eu, mas sempre tive um certo preconceito
com a profissão de vendedor. Talvez porque eles insistam
em vender o que eles têm e não o que eu quero,
por insistir em determinados pontos, deixando-me uma sensação
de invasão de minha privacidade. Muitas vezes quero
simplesmente escolher e não quero partilhar os meus
critérios de escolha.
O
ponto alto do meu preconceito era com vendedores de enciclopédia.
Eles eram - ou são - particularmente insistentes,
aproveitando toda e qualquer crítica ou observação
que se faça em um argumento para reforçar
a venda.
Recentemente,
visitando um "site" da Internet - http://www.sellingpower.com
-, deparei-me com a seguinte frase:
"Nada
acontece até que alguém venda algo."
Esta
frase precipitou, provocou em mim, uma melhor compreensão
da atividade de vendas, da tarefa do vendedor e de sua abrangência.
Como
a parte do conhecimento das vendas tradicionais já
está bastante coberta e conhecida, aproveitaremos
o restante do texto para tentar desbravar um pouco os aspectos
de "vendas de pessoas", que é o que fazemos
a cada instante, conforme a citação no início
deste BES diz.
Tanto
esta citação, que inicia o artigo, como a
frase encontrada no "site" apresentam a constatação,
na nossa vida diária, de que todos nós representamos
um papel tentando passar alguma coisa a alguém.
Esse
papel que representamos pode tentar passar confiança,
amizade, coragem, companheirismo, dependendo do que estamos
querendo dos nossos
interlocutores. Muito embora, na maioria dos casos, não
haja diretamente dinheiro envolvido, mas há interesses.
E
nesse jogo de interesses, cada um tenta mostrar o melhor
de si, na apresentação e representação
do seu papel estudado.
É
como se nós tentássemos "vender"
nossa pessoa para outro alguém, como amigo, empregado,
namorado, pai, mãe, filho, muito embora não
esteja circulando dinheiro, todos vendemos algo, ou fazemos
escambo de sentimentos e emoções, somos todos
vendedores de nossos papéis e compradores esperançosos
- tal como quem nos compra - dos papéis dos outros
que nos rodeiam.
Nós
nos vendemos aos nossos empregadores como profissionais
capacitados, nós nos vendemos aos nossos amigos mostrando
nossa compreensão e lealdade, nós nos vendemos
aos nossos parceiros como uma excelente opção
de parceria para a sua vida.
Somente
esse tipo de venda é, muitas vezes, camuflado, não
ficam claras, nem patentes estas vendas. E não há
dinheiro envolvido de forma direta. A moeda de troca é
outra. A moeda de troca é a relação
afetiva balanceada, pelo menos a esperança dessa
relação afetiva balanceada, ou seja, uma relação
afetiva efetiva!
Até
quando nós fazemos um empréstimo em um banco,
nós estamos nos vendendo como uma boa fonte de investimento!
Estas
vendas pessoais, que fazemos junto aos que nos cercam, são
vendas afetivas, o que se troca é relacionamento
afetivo. Como fazer para que esses escambos afetivos se
tornem efetivos?
Sob
o ponto de vista da venda pessoal, de escambo afetivo, que
fazemos a quem está nos comprando, algumas indagações
ou questões podem ser colocadas para mostrar a efetividade
da troca:
-
O produto que vendemos é bom para o cliente que está
nos comprando?
-
O desempenho real do produto que vendemos está de
acordo com as especificações à época
da venda?
-
O produto que vendemos está satisfazendo o cliente?
-
Que tipo de garantia nós oferecemos para o produto
de nossas vendas?
-
O cliente pode ter ou encontrar outros produtos que atendam
melhor suas expectativas?
-
Qual o comprometimento do fornecedor do produto junto aos
seus clientes?
-
Que garantias acompanham o seu produto?
-
Caso a venda seja recíproca, ou seja, nós
estamos vendendo algo para alguém e esse alguém
está nos vendendo algo, muito comum nos relacionamentos
pessoais,
que garantias explícitas estão acordadas ?
Neste mesmo caso, quais são as garantias implícitas
não verbalizadas? Quais são as garantias que
precisam ser acordadas?
-
É ético você realizar a venda de seu
produto e - de forma unilateral - romper, camufladamente,
o contrato de venda? Isto pode estar ocorrendo neste momento
com empregadores, com parceiros, com amigos ou com colegas
de trabalho?
-
O marketing pessoal de venda do seu produto está
calcado nas necessidades do seu cliente ou exclusivamente
em suas habilidades de vendedor?
-
Você está disposto a alterar as suas habilidades,
conhecimentos, atitudes e responsabilidades para atender
as necessidades do seu cliente?
-
Você faz pesquisas periódicas para verificar
a satisfação do seu cliente?
-
O seu cliente pode trocar de fornecedor caso esteja insatisfeito
com o produto que você lhe vende?
-
Você transmite confiança ao cliente quando
se vende?
-
E a sua confiança em você? É baseada
em avaliações dos seus clientes ou é
o olhar superior a partir do seu próprio umbigo?
Cabe
a nós percebermos quem são os clientes a quem
nos "vendemos", e aqueles clientes que nos compram,
ou melhor, compram a percepção que eles têm
da imagem que nós passamos.
Após
a identificação dos nossos clientes, e potenciais
clientes, cabe a nós atuarmos no sentido de cativar
esses clientes, procurando alcançar, alcançando
e superando as suas expectativas.
Nossas
"vendas" são para satisfazer nossos clientes
ou para nos satisfazer? Você, em suas "vendas",
pratica a negociação ganha-ganha?
Nesta
resposta você encontra o grande diferencial pessoal
dos excelentes vendedores, negociadores e pessoas de sucesso!
Façamos
todos uma ótima semana!
__________________________
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