Comenta-se,
com uma razoável freqüência, que os donos
de empresa (ou gerentes) pagam salários muito bons
para quem cuida de máquinas, mas não pagam
salários condizentes para os administradores.
O
mercado tem bastante gente que acha que entende de pessoas
e poucas pessoas que entendem e resolvem problemas em máquinas.
Desta constatação sai, rápido, o seguinte:
o que é raro é caro! Logo, pessoas que acham
que entendem de pessoas são "baratas",
e pessoas que resolvem problemas de máquinas são
caras!
Complementando:
a)
o dono da empresa, pelo menos uma parte, não entende
de computadores, então contrata aquele que melhor
se apresenta, e paga por isso;
b)
o jeito de administrar a empresa tem a cara do dono. De
repente, na visão do dono, chega lá um administrador,
que saiu da faculdade agora, querendo mostrar como se faz
isso e aquilo.
- "Mudar
a minha empresa é o mesmo que falar que eu estou
errado!"
Então
esta postura facilita a existência de consultores,
pessoas que pela sua credibilidade e conhecimento do processo
de mudança organizacional e, principalmente, pessoal,
propõe melhorias contínuas que conduzem, ao
longo de um tempo, a uma mudança maior.
O grande
problema existente é que se a pessoa não mudar
(o dono ou o gerente), nada muda.
A
empresa só muda se o dono mudar! Uma empresa só
muda se uma ou mais pessoas na empresa mudarem. Mudança
organizacional quer dizer um conjunto de mudanças
pessoais.
O
trabalho do administrador, neste caso, não é
mudar a empresa, é mudar o dono. Devagar, Paulatinamente.
E ir implantando as idéias do dono, que passou a
enxergar aquilo que você, administrador novo, o conduziu
a vislumbrar.
Esse
trabalho exige uma maturidade emocional que a maioria dos
formandos em administração não possui.
Creio que seja uma característica de falta de maturidade
emocional bastante comum aos formandos em qualquer especialidade.
Ou seja,
temos especialistas em máquinas, mas faltam especialistas
na condução de mudanças pessoais, que
conduzem e acabam produzindo as mudanças organizacionais
necessárias.
A
conclusão é que o mercado tem poucas pessoas
que entendem de pessoas e de máquinas. Por isso é
que elas custam "caro".
O que
fazer, então, com o dono da empresa?
Permita-me
dar um pulo, sem conexão aparente, para podermos
cair novamente no mesmo ponto.
Eu diria
que a nossa sociedade costuma separar algo que não
pode, nem deve ser separado: emoção e razão.
Antonio
Damásio, neurocirurgião português, chefe
do departamento de neurocirurgia da Universidade de Yowa,
escreveu uma série de 3 livros sobre o assunto.
Em suma,
na estrita visão da minha leitura, ele diz o seguinte:
a razão, sem a emoção, não serve
para nada.
O nome
do primeiro livro dele é "O Erro de Descartes",
pois a frase correta de Descartes, à luz da ciência,
hoje, seria:
EXISTO
E SINTO, LOGO PENSO.
Por
incrível que pareça a emoção
é a base da lógica! E sem a emoção
a lógica é estéril!
Sem
emoção não há escolha, não
há a vida, tal como a conhecemos e valorizamos.
O que
fazer com este dono de empresa, com esse gerente?
Ensiná-lo!
Ensinar
é a única resposta possível. Bater
de frente com ele, falar que "isto e aquilo" deve
ser mudado pode ser o mesmo que dizer que ele está
fazendo estas "coisas" erradas. E ninguém
gosta de estar errado, não é mesmo?
Como
ensinar?
Para
ensinar é necessário a humildade da compreensão
do outro, da percepção do outro. É
necessário estabelecer um vínculo, ter empatia.
A
postura de servir, a junção da lógica
da necessidade empresarial, com a percepção
das pessoas envolvidas no processo, facilita e dá
o primeiro passo no sentido da mudança pessoal e,
depois, organizacional.
Ajudar
o gerente a conduzir a empresa, na medida da capacidade
dele, na medida da evolução do seu conhecimento
(dele), patrocinada por você, recém-formado,
é o seu caminho.
Basta
ter a humildade, a maturidade de perceber o outro como ele
é, e não como a sua necessidade gostaria que
ele estivesse para a sua mudança: pronto!
Cabe
a você torná-lo pronto, este é o primeiro
passo.
Neste
processo de ensinar, você notará que vai aprender
e muito, pois você se deu a oportunidade!
Isto,
em outras palavras, é comprometimento com o gerente
e suas capacidades e limitações; enfim, algo
que esperamos que os outros tenham conosco, mas nem sempre,
neste mundo de soluções rápidas, temos
com os outros.
A
minha recomendação sempre é: agregue
valor ao seu chefe, SEMPRE! Ele define a sua avaliação
hoje, e tem possibilidade de definir o seu emprego de amanhã,
quando, se for o caso, for consultado como foi o seu desempenho
quando trabalhava com ele.
Você
não consegue perceber como ele é, e não
conseguindo perceber o jeito de ser dele, não consegue
transmitir a sua visão para que ele o compreenda:
- "Ele
está errado!"
Ele
nunca está errado!
Ao invés
de focar a sua dificuldade de se comunicar com ele, é
mais fácil para você julgar o outro. E você,
glorioso, sobre o conhecimento adquirido na faculdade, redondamente
certo! Aparentemente, somente aparentemente...
E
ai nada mais resta do que pedir demissão, porque
este pessoal é burro mesmo!
Ou não?
Escreva-me
as suas percepções e seus comentários.
Eu sugiro,
que nestes tempos de mudanças, mudanças rápidas,
os administradores, todos os administradores, independentemente
de sua formação, reflitam e ajam definindo
que serviços prestam e a quem? Ou seja, pensem:
- "Quem
são os meus clientes! Os meus esforços são
dirigidos para o que e para quem?"
Leitura Complementar:
Eu recomendo
a leitura destes artigos:
Mercado
de Trabalho: Realidades e Recomendações,
Fui
Criativo...Estou Demitido!,
A
Lei Da Expectativa Negociada, e
Rivalidade,
Competitividade, Conflito Ou Colaboração
.
Construamos, com nossas ações, uma excelente
semana!
__________________________
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